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Infectious disease

Como sabemos que os desinfetantes conseguem matar o coronavírus COVID-19

O novo coronavírus é um dos tipos de vírus mais fáceis de anular, entretanto, nos faltam dados específicos sobre o SARS-CoV-2

by Kerri Jansen
March 23, 2020 | APPEARED IN VOLUME 98, ISSUE 11

 

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Credit: ADragan/Shutterstock
Sob o emergente programa de patógenos virais da EPA dos EUA, os fabricantes de produtos desinfetantes podem solicitar aprovação da reivindicação de que um produto pode matar o novo coronavírus com base em sua capacidade de matar vírus semelhantes.

Acesse todo o conteúdo em português da C&EN em cenm.ag/portuguese.

A disseminação da doença causada pelo coronavírus COVID-19 provocou um aumento nas vendas de produtos de limpeza e desinfecção. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomendam a limpeza regular de superfícies frequentemente tocadas, juntamente com a lavagem cuidadosa das mãos - práticas padrão para ajudar a retardar a propagação de vírus e bactérias. Entretanto, os consumidores ficarão desapontados se procurarem um produto que promete matar especificamente o SARS-CoV-2, o vírus que causa o COVID-19.

Embora haja boas evidências de que o novo coronavírus seja um dos tipos mais fáceis de matar, os cientistas ainda estão determinando sua natureza exata e qual o papel da transmissão de superfície em sua propagação. Enquanto os pesquisadores correm para entender o novo patógeno, a EPA dos EUA está trabalhando para fornecer ao público informações sobre desinfetantes que possam ajudar a retardar sua propagação. Porém, essas alegações não serão permitidas em lojas físicas até que possam ser realizados testes adicionais.

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Compreender exatamente como um novo vírus se espalha e persiste no ambiente leva tempo, recursos e amostras de vírus para pesquisa - todos esses são pouco disseminados nas primeiras semanas e meses de um surto. Essa insuficiência de dados cria desafios tanto para as pessoas que procuram orientação sobre como evitar essa nova doença quanto para os especialistas e organizações que oferecem essa orientação.

“Todos preferem ter cautela e afirmar que realmente não sabemos, porque ainda não temos dados suficientes”, diz Charles Gerba, microbiologista da Universidade do Arizona que estuda como os vírus se espalham em ambientes internos.

Em 3 de março, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) divulgou uma lista de produtos antimicrobianos para uso contra o SARS-CoV-2, em um programa emergente de patógenos virais desenvolvido para esse tipo de cenário. (A EPA regula produtos antimicrobianos como pesticidas.) Sob o programa, que foi introduzido em 2016 e ativado pela primeira vez em janeiro, os fabricantes de desinfectantes podem solicitar aprovação para a reivindicação de que um produto que pode matar um vírus específico com base em sua capacidade de matar vírus semelhantes. Após um surto ser identificado e a identidade do vírus ser confirmada pelo CDC, os produtos aprovados têm permissão temporária para distribuir informações sobre o uso do produto para o patógeno emergente. A alegação aparece em um formato padrão como: o [Nome do produto] demonstrou eficácia contra vírus semelhantes ao SARS-CoV-2 em superfícies rígidas e não porosas. Portanto, o [nome do produto] pode ser usado contra o SARS-CoV-2 quando utilizado em conformidade com as instruções de uso.

Segundo a EPA, essas declarações têm o objetivo de “informar o público sobre a utilidade desses produtos contra o patógeno emergente da maneira mais rápida possível”. O programa de patógenos emergentes evita o longo processo de revisão que normalmente é necessário para verificar as alegações de eficácia dos desinfectantes, o que requer o estabelecimento de um protocolo padronizado e testes com o vírus real ou com um substituto aprovado pela EPA. No momento, afirma um porta-voz da EPA, nenhuma empresa enviou à agência nenhum dado de eficácia sobre o novo coronavírus ou quaisquer substitutos.

A velocidade é essencial, porque superfícies como maçanetas, bancadas e equipamentos eletrônicos podem transmitir doenças virais e bacterianas. Segundo o CDC, acredita-se que o SARS-CoV-2 se espalhe principalmente de pessoa para pessoa através de gotículas respiratórias transportadas pelo ar. Mas também pode ser possível que o vírus se espalhe pelas superfícies. Os cientistas sabem que vírus respiratórios semelhantes expelidos pelo ar, tosse, respiração ou fala podem se depositar em superfícies, onde podem permanecer em estado ativo por dias, protegidos por uma confortável cobertura de muco. Embora os cientistas ainda não tenham certeza de quanto tempo o novo coronavírus permanece ativo na superfície, um estudo realizado em um hospital descobriu que coronavírus semelhantes podem persistir em superfícies rígidas como vidro, metal ou plástico por até 9 dias (Journal of Hospital Infection 2020, DOI: 10.1016/j.jhin.2020.01.022). Outro estudo, publicado recentemente no medRxiv e ainda não revisado pelos colegas, descobriu que o SARS-CoV-2 permanece estável em plástico e aço inoxidável por 2 a 3 dias. (MedRxiv 2020, DOI: 10.1101/2020.03.09.20033217). Os autores também publicaram seus dados em uma correspondência no New England Journal of Medicine (2020, DOI: 10.1056/NEJMc2004973).

Durante esse período, o vírus pode potencialmente se espalhar para qualquer pessoa que toque a superfície e para o que quer que ela toque em seguida. As pessoas tendem a subestimar a rapidez com que um vírus pode se espalhar através e além de um edifício através de superfícies tocadas, diz Gerba.

Gerba observa que os avanços tecnológicos, como grandes aeronaves, estádios esportivos enormes e a proliferação de quiosques de autoatendimento, tornaram mais fácil a propagação rápida de doenças. Dispositivos móveis, como smartphones, podem pegar germes de mãos contaminadas e depois descarregá-los para se espalharem em um novo local.

Vírus envelopados como o SARS-CoV-2 - que contam com um revestimento lipídico protetor - são o tipo mais fácil de anular. Ao contrário de muitos vírus gastrointestinais, como o norovírus, que possui uma casca proteica resistente chamada capsídeo, os vírus com esse revestimento gorduroso são relativamente vulneráveis.

“É muito mais sensível. É uma espécie de concha protetora fraca”, afirma o virologista Seema Lakdawala, da Universidade de Pittsburgh.

Existem algumas maneiras de estourar essa concha frágil. Os produtos à base de álcool desintegram os lipídios protetores. Os desinfetantes de amônio quaternário, comumente usados nas indústrias de serviços de saúde e serviços de alimentação, atacam estruturas de proteínas e lipídios, frustrando o modo típico de infecção do patógeno. Alvejante e outros oxidantes potentes quebram rapidamente os componentes essenciais de um vírus.

A lista de desinfetantes da EPA, presumivelmente eficazes contra o SARS-CoV-2, contém várias dezenas de produtos antimicrobianos, incluindo sprays, concentrados e produtos prontos para uso. Foi demonstrado que cada um deles é eficaz contra pelo menos um vírus pequeno ou grande, não envelopado, que é considerado mais difícil de matar do que a variedade envelopada. Também é provável que essa lista cresça; em 9 de março, a EPA anunciou que estava acelerando solicitações emergentes relacionadas a patógenos que atendiam a certos requisitos.

Entretanto, é improvável que os consumidores vejam esse texto nos rótulos dos produtos em breve. O emergente programa de patógenos virais da EPA limita os locais em que os fabricantes de desinfetantes podem publicar essa alegação em fontes off label, como sites, linhas de ajuda da empresa e mídias sociais. Respondendo aos comentários do público sobre um esboço preliminar do programa, a agência explicou que essa medida permite que as reivindicações sejam removidas rapidamente, se necessário. Os fabricantes de produtos também podem incluir as reivindicações na literatura técnica distribuída aos estabelecimentos de saúde, onde se espera que seus destinatários tenham o histórico necessário para colocar essas reivindicações em contexto.

A Clorox Company, que possui vários produtos na lista da EPA, nomeia três em sua página de limpeza de coronavírus do site, juntamente com a seguinte declaração: “De acordo com a Política de Patógenos Emergentes da EPA, esses produtos podem ser usados contra o SARS-CoV-2 quando utilizados conforme as instruções.” A gigante dos produtos de limpeza compartilha informações sobre a eficácia desses produtos desde o final de janeiro, quando a EPA ativou seu programa emergente de patógenos virais, de acordo com um representante da Clorox. A prática padrão da empresa é buscar a pré-aprovação do programa ao registrar novos produtos.

Obviamente, para que os produtos sejam eficazes, eles devem ser usados de acordo com as instruções. O tempo de contato recomendado para desinfetantes comuns varia de 30 segundos a 10 minutos. Retirá-los muito cedo pode limpar a superfície sem desinfetá-la, afirma Brian Sansoni, do American Cleaning Institute, um grupo comercial para a indústria de produtos de limpeza.

“Cada produto desinfetante - seja um spray ou um pano, por exemplo - é formulado de maneira diferente”, diz Sansoni. Produtos diferentes requerem quantidades diferentes de tempo para efetivamente matarem um determinado germe ou vírus.

A limpeza de dispositivos eletrônicos, como smartphones, pode ser particularmente desafiadora, com preocupações sobre danos a componentes e revestimentos sensíveis.

“Não use alvejante”, a Apple informa nas orientações de limpeza lançadas recentemente para seus produtos. A empresa de tecnologia diz que é seguro limpar suavemente os teclados e as telas com um limpador de álcool isopropílico a 70% ou produtos desinfetantes Clorox.

Gerba recomenda produtos desinfetantes para limpar outras superfícies também. Com produtos em spray e em toalhetes, os consumidores geralmente retiram o produto antes que ele possa agir com eficácia. Porém, em estudos realizados nas casas das pessoas, elas são mais propensas a deixarem a superfície secar naturalmente após limpá-la com o produto, dando tempo para que os compostos desinfetantes atuem.

“Produtos desinfetantes são imbatíveis”, diz ele.

Essas traduções são parte da colaboração entre C&EN e a Sociedade Brasileira de Química. A versão original (em inglês) deste artigo está disponível aqui.

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